quarta-feira, 23 de março de 2011

Não fazia jus ao nome (Carême Bistrô, Botafogo)

Faz alguns poucos anos que visitamos o hoje falecido Carême Bistrô, da chef Flávia Quaresma. Ela na época ainda dividia o programa Mesa para Dois com o chef Alex Atala, na GNT .

Os pratos - caros, diga-se de passagem - que comemos lá fariam o chef Antonin dar voltas em seu caixão em Montmartre pelo uso indevido de seu nome.

Meu guisado de carneiro, prato do dia, só tinha sabor de pimenta-do-reino. Mais nada. Nem o gosto do carneiro eu consegui identificar. E eu garanto que eu executaria melhor o prato que minha mulher pediu, um filé ao patê de fígado com minilegumes. Uma camada de um patê de qualidade duvidosa sobre um bife sem graça, acompanhado daqueles legumes pequenininhos, mas sem qualquer gosto.

Estava tudo tão ruim que decidimos não pedir sobremesas. Depois descobri que eram o forte da casa. Fazer o quê? Mas, se era assim, talvez devessem ter aberto uma pâtisserie, ao invés de um bistrô.

Pedimos errado? Quem sabe. Ou talvez o bistrô já estivesse tão perto de fechar suas portas que sua chef já não lhe dava muita atenção.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Eñe-a-o-til (Restaurante Eñe, São Conrado)

Eu e minha mulher fomos duas vezes ao restaurante espanhol Eñe. O alto preço só foi proporcional à decepção.

Nossa boa vontade na primeira vez fez com que a noite não se transformasse em um desastre. O pulpo a la gallega de entrada estava só razoável. O Venga faz melhor e não chega nem perto do que comemos em Madri. Meu cochinillo crujiente (porco de leite crocante) de crocante não tinha nada. Pele e gordura moles só não transformaram o prato em uma decepção total porque a carne estava saborosa e suculenta.

Na esperança de redimir a casa, há poucas semanas retornamos. Após uma parca entrada de chorizo e copa, pedi ao garçom que dessa vez o meu cochinillo viesse realmente crujiente. Pele crocante sobre a carne suculenta do porco é uma das maravilhas que se repetem na culinária do mundo. Exemplo disso é o leitão à pururuca, como o que comi no casamento de um amigo em Santa Catarina. Fantástico. Mas, no Eñe, a pele veio pouco crocante e a carne ressecada. Eles não sabem mesmo fazer o prato! O arroz negro com lagostim e lula que minha mulher pediu tinha um gosto fortíssimo de temperos em excesso e mal combinados. Incomível. Escolhemos um vinho de Rioja caro, uma de nossas preferências. Para nossa tristeza, nos chegou um vinho muito maltratado, com um gosto que ficava entre baunilha e Malibu. Para completar, um vizinho de mesa deixou o prato inteiro e outro casal reclamou duramente.

O garçom foi gentil e nos serviu de cortesia um vinho de sobremesa, que acompanhou o ótimo pout-pourri de sobremesas, único pedido que se salvou na noite.